Quando o sol golpeia no horizonte
e se vai reclinar por de trás do monte
como um boi colorado
repontado
pelo mango de noite
que tropeia
eu sofro a mágoa de tristeza,
a quietude sem fim da natureza
na saudade cruel que me maneia.
Xomíco!
Por que será
que Nosso Senhor nos dá
sem pena, nem julgamento,
a pua do pensamento
prá esporiar o coração?
Saudade!!!
Ela vem chegando,
tropereando...tropereando
tudo de bom que vivi.
Depois que a saudade apeia
amarra o pingo e sesteia,
nunca mais a gente ri.
Isto é: sempre há sorriso
mas para isso é preciso
enganar como perdiz
que piando numa moita
noutra se esconde afoita
fingindo que náo piou.
A gente não é feliz!
So ri dos dentes pra fora,
um gargalhar disfarçado,
uma risada amarela,
como potro atropelado
como boiada que estoura
na saída da cancela.
Saudade cheira a alecrim
mas é ruim que nem cupim
que dá em várzea de campo;
fere a gente de tal jeito
que o coração cá no peito
se banha nágua do pranto.

